A Polícia Federal cumpriu sete mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (19), em Campo Grande e Taquarussu, durante a operação Suffragium. A ação investiga um possível esquema de compra de votos na campanha de Adriane Lopes (PP) nas eleições de 2024. Segundo a PF, o grupo atuava com estrutura em formato de pirâmide e realizava a compra de votos de forma “sistemática”.

A reportagem apurou que a prefeita Adriane Lopes não foi alvo dos mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira.

Em nota, a prefeita afirmou que o caso já foi analisado pela Justiça e que a defesa obteve decisões favoráveis nas instâncias de Mato Grosso do Sul, além de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Afirmou ainda, que as diligências realizadas não envolvem órgãos da administração municipal nem têm relação com a atual gestão. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.

Conforme a investigação, o esquema era dividido em quatro núcleos:

  1. Núcleo de comando político (topo da pirâmide): seria formado por possíveis beneficiários políticos do esquema. Segundo a PF, esse grupo estaria no nível de direção da estrutura, mas ainda não há, até o momento, elementos individualizados que comprovem participação direta em pagamentos ou transferências investigadas;
  2. Núcleo de coordenação institucional e financeira: seria responsável pela organização e gestão dos recursos usados no esquema. A investigação aponta que esse grupo movimentava e distribuía os valores destinados à compra de votos, com mecanismos para dificultar o rastreamento do dinheiro;
  3. Núcleo de intermediadores operacionais: seria formado por pessoas responsáveis por repassar os recursos e conectar a área financeira aos executores da suposta compra de votos. Segundo a PF, esse grupo atuava na logística, pulverização de valores e transferências para diferentes destinatários;
  4. Núcleo de eleitores (base da pirâmide): formado pelos destinatários finais dos valores, que seriam os eleitores supostamente beneficiados com vantagens econômicas para influenciar o voto.

Segundo a PF, foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas, como transferências sucessivas, fracionamento de valores via Pix e uso de contas de terceiros. As operações teriam ocorrido principalmente em períodos próximos aos turnos eleitorais. O suposto modo de atuação era o seguinte:

  • Uso de contas de pessoas físicas, servidores públicos e empresas para movimentar recursos;
  • Transferências sucessivas entre diferentes contas, dificultando a identificação da origem do dinheiro;
  • Saques que indicariam retirada coordenada de valores;
  • Pulverização de recursos por meio de múltiplas transferências via Pix;
  • Fracionamento de valores para reduzir a visibilidade das operações;
  • Concentração das movimentações nas vésperas do primeiro e segundo turnos das eleições de 2024;
  • Uso de contas de passagem para receber e redistribuir recursos aos executores do esquema.

Operação Suffragium

Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram movimentações financeiras consideradas incomuns. Entre elas estão saques em dinheiro, transferências fracionadas via Pix e o uso de contas de terceiros para movimentação e distribuição de recursos em períodos próximos aos dois turnos das eleições. Conforme a PF, os indícios podem estar relacionados à prática de compra de votos.

A TV Morena, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso do Sul, também apurou que a operação tem ligação com um processo enfrentado por Adriane Lopes na Justiça Eleitoral.

Votos nas eleições de 2024

Adriane Lopes foi reeleita prefeita de Campo Grande em 2024 com 51,45% dos votos válidos, o que representa 222.699 votos. Ela venceu no segundo turno Rose Modesto (União Brasil), que teve 210.112 votos, equivalente a 48,55%.

  • No primeiro turno, pesquisas indicavam Adriane Lopes em terceiro lugar. No entanto, ela terminou na liderança da etapa inicial com 140.913 votos válidos (31,67%). Rose Modesto ficou em segundo, com 131.525 votos (29,6%). Em seguida aparecem Beto Pereira (PSDB), com 115.516 votos (25,96%), e Camila Jara (PT), com 41.966 votos (9,43%).

Nota na íntegra

"A prefeita Adriane Lopes recebeu com surpresa a notícia da deflagração da Operação Suffragium, mas também com tranquilidade, uma vez que o objeto da ação já foi analisado pelo Poder Judiciário, tendo a defesa obtido decisões favoráveis nas duas primeiras instâncias, no Mato Grosso do Sul, e parecer favorável do Procurador-Geral em Brasília.
Importante destacar que as diligências desta sexta-feira não envolvem qualquer órgão da Administração Municipal nem guardam relação com atos da atual gestão.
A prefeita reafirma seu respeito às instituições e ao trabalho dos órgãos de controle e investigação, mantendo-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, com a convicção de que a verdade dos fatos prevalecerá, como já ocorreu nas decisões judiciais anteriormente proferidas.
A Administração Municipal segue concentrada em seu compromisso diário de trabalhar por Campo Grande, com ações voltadas à melhoria da qualidade de vida da população."

FONTE/CRÉDITOS: g1