Espaço para comunicar erros nesta postagem
O escritor e poeta Guimarães Rocha, um dos nomes mais importantes da literatura sul-mato-grossense, morreu na madrugada desta quinta-feira (11), aos 69 anos. Membro fundador da UBE-MS (União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul) e ocupante da cadeira número 4 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, ele estava internado havia alguns dias em um hospital particular de Campo Grande e enfrentava uma amiloidose, doença rara que provoca o acúmulo de proteínas anormais em órgãos e tecidos do corpo, comprometendo seu funcionamento.
Segundo o genro, o advogado Rafael Almeida, o diagnóstico veio há algum tempo e a doença foi avançando, apesar do tratamento. Nos últimos meses, o estado de saúde se agravou. "Ele lutou bravamente com a doença. Nunca reclamou", resume.
Nascido no Ceará, Guimarães chegou a Mato Grosso do Sul na década de 1970, como tantos nordestinos que buscavam novas oportunidades. Viveu em Vicentina, passou por Dourados e se estabeleceu em Campo Grande no início dos anos 1980. Ingressou na Polícia Militar como soldado e, segundo a família, construiu a carreira sempre pelo mérito e pelo esforço, chegando ao posto de tenente-coronel da reserva.
Mas a farda nunca limitou o poeta. Também foi professor de Literatura Brasileira, escritor, compositor e um apaixonado pela cultura regional. Ao longo da vida publicou dezenas de livros, lançou discos, participou de projetos musicais e ajudou a fortalecer a literatura produzida em Mato Grosso do Sul.
Para Rafael, no entanto, o legado mais importante não está apenas na obra.
"O meu sogro é um exemplo em todos os aspectos. Foi um homem simples. O cearense que chegou em Mato Grosso do Sul na década de 70 em busca de novas perspectivas. Não tinha nada que ele acreditasse ser impossível. O 'não' nunca existiu para ele", conta.
Essa simplicidade, segundo a família, era a marca de Guimarães. A casa dele era um ponto de encontro permanente para filhos, noras, genros, sobrinhos e amigos.
"A casa dele era um porto seguro. Era uma casa que acolhia, essa é a principal marca do Guimarães", diz Rafael.
Homem de fé, ele fazia questão de ensinar princípios e valores e tinha uma relação muito firme com a honestidade. "A honra, para ele, era inegociável", lembra o genro.
Mesmo nos momentos mais comuns, a poesia aparecia. Rafael conta que era comum um almoço de domingo ser interrompido por uma declamação inesperada.
"Era aquele poeta que, às vezes, a gente estava em um almoço de domingo e, do nada, saía um poema declamado e todo mundo se emocionava."
O amor pela cultura também ultrapassava a própria obra. Grande conhecedor da produção regional, Guimarães fazia questão de valorizar artistas locais e defendia a literatura sul-mato-grossense com orgulho. "Era um cara bairrista. Queria ver a literatura do nosso Estado ocupando o espaço que ela merece."
Sua produção transitou entre a palavra escrita, a música e a oralidade. Em 2001, lançou a Coleção Recorde Guimarães Rocha, composta por 15 livros. Também registrou trabalhos poético-musicais, como o CD Encanto, e, em 2021, transformou seis poemas em forró e baião no EP Nosso Amor, em parceria com o Trio Malaquias.
Ao longo da carreira, escreveu mais de 20 livros, teve músicas gravadas por artistas sul-mato-grossenses e percorreu diversos municípios levando a poesia para além das páginas.
Guimarães deixa a esposa Rosa, com quem viveu décadas de amor, e 4 filhos.
O velório começa nesta quinta-feira (11) às 17h no Cemitério Jardim das Palmeiras que fica na Avenida Tamandaré, 6934. O sepultamento está previsto para sexta-feira (12) às 10h
Publicado por:
Carlos Alberto T. Souza
Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.
Saiba Mais