Jamil Name, acusado de chefiar milícia, réu da Operação Omertà, morreu em decorrência do coronavírus no Rio Grande do Norte

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As lembranças que ficarão de Jamil Name em Campo Grande vão muito além de suspeitas, investigações e processos. Personalidades políticas ouvidas pelo Correio do Estado o classificaram como generoso e altruísta. O réu da Operação Omertà estava preso em Mossoró (RN), foi diagnosticado com Covid-19 e na tarde do dia 27 não resistiu à doença.

“Era uma pessoa excelente e contribuiu muito para a sociedade. Vamos sentir falta. A sociedade sentirá falta”, disse o advogado Renê Siufi.

Segundo ele, Name e a esposa distribuíam cestas básicas e em dias frios, como os que abriram a semana útil na Capital, também doavam cobertores a quem precisava. “Acabou vítima de uma injustiça. Deus está aí para resolver isso”, afirmou Siufi à equipe de reportagem.

O vereador Valdir Gomes trabalhou no gabinete de Tereza Name, mulher de Jamil, na época em que ela foi vereadora. Em função disso, acabou convivendo com a família.  

“Fui muito amigo deles. Foi uma época muito boa. A Tereza é uma pessoa que eu gosto muito. Daquela época, eu só tenho a dizer coisas boas. Jamil era uma pessoa bondosa, e eu lamento muito tudo isso que aconteceu com ele”, disse Gomes.

O vereador afirma que sempre que a mulher era procurada por algum cidadão pedindo algum tipo de ajuda, ele também não hesitava em dar uma mãozinha e conseguir o que a pessoa estava precisando.

“Não tinha nada que ele não fizesse para ajudar a população. Era uma pessoa muito boa. Grande pessoa. Nós víamos somente gente da periferia que o procurava, e ele sempre atendia”, afirmou.

RUMO DOS INQUÉRITOS

Conforme informações do Ministério Público, a suspeita é de que o grupo chefiado por Jamil Name e o filho Jamil Name Filho teria executado ao menos três pessoas em junho de 2018 na Capital.  

Duas das mortes ligadas aos Name foram a do ex-chefe de segurança da Assembleia Legislativa Ilson de Figueiredo e do estudante de direito Matheus Coutinho Xavier, de 19 anos, morto a tiros de fuzil em abril de 2019, enquanto manobrava o carro do pai.

Um mês após a morte de Matheus, policiais do Garras e do Batalhão de Choque desmantelaram um arsenal de armas que estava em posse de um guarda municipal. Conforme o Gaeco, as armas pertenciam ao grupo de extermínio e investiga-se se eram utilizadas nas execuções.

O delegado Fábio Peró, que integra o grupo que apura esses crimes, disse que, tão logo a certidão de óbito de Name seja anexada ao caso, o envolvimento dele nos crimes será arquivado, mas continuará contra os demais investigados, assim como os processos que correm na Justiça devem continuar a pesar sobre os que já foram acusados.

Name estava internado em um leito de unidade de terapia intensiva (UTI) há 28 dias. Mesmo tendo tomado as duas doses da vacina contra a doença pandêmica, já tinha idade avançada.

Ele passou a ter sintomas mais severos no início deste mês, quando foi internado em um posto de saúde e depois de alguns dias transferido para um hospital.  

Após apresentar melhora, o acusado chegou a ser extubado, mas precisou ser intubado novamente no dia 13. Após esse momento, o quadro de Name foi ficando cada vez mais instável, tendo até de ser pronado (colocado de barriga para baixo).

Com as complicações, Name foi impedindo de ser transferido para uma UTI de hospital particular em Brasília.

HISTÓRIA

Name chegou em Campo Grande no fim da década de 1950. Fez sociedade com um conhecido e entrou no negócio do jogo do bicho. Também participou do mercado imobiliário, tendo fundado a corretora Fena, fazendo muitas transações de terras em Mato Grosso (antes da divisão), São Paulo e Paraná.

Abriu também diversos loteamentos de condomínios na capital de Mato Grosso do Sul. Name era dono de diversas empresas, inclusive do Jóquei Club, e já foi presidente do Operário Futebol Clube.  

O corpo de Jamil Name chegará amanhã em Campo Grande, às 14h, para ser sepultado, informou o advogado do caso, Tiago Bunning, ao Correio do Estado. 

(*) Informações: Correio do Estado

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